Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

[ Missão histórica dos católicos no Brasil ]

 

 

 

 

O Século, 5 de junho de 1932

 

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A Nota da Semana

Não é suficiente que os católicos se compenetrem da gravidade da hora presente e que, engrossando as fileiras, hoje incontáveis, dos descontentes, chorem, como Eneas saindo de Tróia, os tristes destinos de sua pátria incendiada.

Nossa função histórica é mais do que a de simples carpideiras, chorando sobre os escombros do Brasil. Eneas só abandonou Tróia quando ardiam em chamas os últimos redutos de sua cidade natal, e só chorou os destinos de sua Pátria depois de ter utilizado todos os recursos capazes de a livrar dos gregos.

Ora nem tudo no Brasil está a arder, e entre as coisas que ainda não foram atingidas pelo fogo da indisciplina moral e social se destaca a Igreja Católica, que o Dr. Plinio Barreto afirma ser "a única coisa organizada que existe no Brasil".

Enquanto, portanto, este reduto estiver incólume, deveremos lutar com esperança e com ardor pelo Brasil, certos de que nada estará perdido, enquanto estiver ilesa a Igreja.

Não nos assiste, portanto, o direito das recriminações estéreis e das explosões infrutíferas de uma tristeza que só conduz ao desânimo. É necessário que os católicos entrem imediatamente em ação, com eficiência, disciplina e espírito cristão.

A Igreja se encontra, presentemente, no Brasil, numa situação excepcionalmente favorável à expansão de seus princípios religiosos e sociais. A opinião pública, profundamente descrente de todos os partidos políticos, de todos os "Clubs" e de todos os nossos estadistas, verá com bons olhos a entrada, na arena política, de elementos superiores às rivalidades pessoais ou de facções, e preocupados exclusivamente com a vitória dos princípios católicos, a cuja aplicação temos direito par droit de conquête et par droit de naissance.

Por outro lado, a Doutrina Católica, imenso repositório de verdades fecundas para a vida dos povos, exige de seus fiéis uma disciplina espiritual capaz de congregar facilmente, em torno de algumas reivindicações básicas, uma massa imensa de elementos pertencentes à elite moral do País.

Um poder eleitoral fortíssimo, amparando uma doutrina cujas vantagens sociais e morais só os comunistas podem negar, eis a contribuição salvadora que os católicos têm a obrigação de oferecer ao Brasil, no momento em que se torna necessária a colaboração de todos os elementos conservadores e reacionários, para conter a onda de lodo moscovita, que ameaça submergir a terra de Santa Cruz.

Para conseguir isto é necessário que os católicos se compenetrem das excelências e da aplicabilidade imediata da doutrina que professam. Do que lhes adianta estarem a regenerar o País, mediante o emprego de forças morais inteiramente gastas e contaminadas […], quando está às suas mãos o Catolicismo, sempre moço na perenidade de sua doutrina, e sempre incorruptível em relação às bactérias de dissolução social?

Congreguem-se os católicos sob a orientação de seus princípios religiosos, abandonando de vez quaisquer tentativas mais ou menos fantasiosas e inseguras, de colaboração com elementos suspeitos. Terão, assim, andado metade de seu caminho.

No entanto não é suficiente que se congreguem. É necessário que se submetam leal e nobremente à direção de um órgão comum, que tenha poderes suficientes para coordenar as atividades e opiniões individuais, enfeixando-as de modo a conseguir uma atuação unanimemente seguida e unanimemente adotada.

Enquanto os católicos não souberem sacrificar aos seus princípios religiosos algumas de suas opiniões individuais, nada será possível conseguir.

Está na índole e na essência do Catolicismo o respeito das opiniões individuais às deliberações coletivas realmente inspiradas na Fé e na prudência.

Se cada católico resolver impor seus pontos de vista particulares, a respeito da organização, do modo de agir, e da administração de uma corrente católica influente na vida pública, teremos em pouco tempo o caos. Respeitadas, portanto, as linhas gerais que o próprio bom senso traça como limite para a ação de qualquer diretoria de grupo ou associação, é necessário que reine a disciplina a mais inflexível entre os católicos, pois que só a disciplina assegura a união, e que sem união não é possível o sucesso.

Finalmente, é preciso que os católicos compreendam a necessidade de fechar definitivamente os olhos às divisões administrativas de dioceses e paróquias, para olhar, com um idealismo são, para os interesses coletivos da Igreja Católica.

Entendemos com isto que os católicos precisam saber fechar os olhos aos interesses regionais, quando se tratar de salvar interesses gerais de maior importância. Daí resulta ser necessário que as pequenas autonomias locais FUNDAMENTALMENTE BOAS não prejudiquem de modo algum a articulação das forças católicas e um órgão de direção geral, fortemente centralizado e munido de uma larga margem de poderes, imprescindível para a defesa dos interesses coletivos.

Só assim poderemos salvar o Brasil. E se assim não procedermos, teremos dentro em breve os últimos escombros de nossa Pátria transformados em um "muro das lamentações", que recolherá os prantos amargos e estéreis de [um povo] que abandonou a Deus, e que Deus o abandonou!


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