Plinio Corrêa de Oliveira

 

A Família Imperial e a opinião pública brasileiras

 

 

 

 

 

 

Conferência Congresso Monarquista, 17 de janeiro de 1993

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A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.



 

 

 

Alteza Imperial e Real D. Luiz de Orleans e Bragança,

Alteza Imperial e Real D. Bertrand de Orleans e Bragança,

Alteza Real D. Antônio de Orleans e Bragança,

Senhores componentes da mesa, senhoras e senhores,

É verdadeiramente emocionado que ouço as palavras transbordantes de generosidade. A generosidade foi sempre uma das características da Família Imperial brasileira e é uma das características da mentalidade monárquica. A mentalidade monárquica consiste em dar, consiste em distribuir, consiste em aumentar, em acrescer, em dilatar – em todos os sentidos da palavra – toda a forma de bem.

É nessas palavras, portanto, marcadas de tradição imperial a duplo título: Tradição imperial porque proveniente dos lábios respeitados e da pessoa tão querida de D. Luiz de Orleans e Bragança; porque proveniente da tradição da nossa Casa Imperial, porque é inerente ao próprio ideal monárquico que nessa casa se sustenta; é emocionado por essas palavras que eu começo por lhes agradecer e por apontar a respeito delas uma realidade que já terá saltado aos olhos de todos os senhores: é que essas palavras são filhas da generosidade e que há de descontar muito no que nelas é dito a meu respeito.

Isto dito, eu não tomarei mais o vosso tempo falando de mim. O que Sua Alteza Imperial e Real disse já é demais e eu tratarei diretamente do assunto que me traz aqui à vossa presença nesta manhã de Domingo, de hoje.

O assunto é a causa monárquica e opinião pública.

Eu me sinto – minhas senhoras e meus senhores – qualificado para tratar disto não só porque realmente eu me tenho dedicado com interesse, e às vezes até com paixão, ao estudo da opinião pública em geral nos vários países do mundo, mas especialmente da opinião pública do Brasil. Não entra patriotismo mal entendido nisso mas entra realidade: a opinião pública do Brasil é das mais interessantes para se estudar no mundo. Ela é lúcida, ela é ágil, ela é escorreita, ela dá no ponto, ela sabe avançar, ela sabe recuar, infelizmente às vezes ela sabe dormir também. Mas quem não tem os seus defeitos?

E nessas condições o estudo da opinião pública brasileira é extraordinariamente interessante. E é como um estudioso desta opinião que eu teria alguma coisa a lhes dizer.

Mas dizer aos senhores que são lutadores, que são batalhadores da causa monárquica. Dizer aos senhores que, portanto, têm muitíssimo de comum comigo, porque embora a malfadada cláusula pétrea, que manteve num imerecido e injusto sarcófago a causa monárquica durante mais de cem anos; apesar da malfadada cláusula pétrea que me impediu de ser um monarquista militante, porque sendo monarquista militante eu não poderia conduzir a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade (à qual Sua Alteza Imperial e Real se referiu com tanta generosidade também), porque imediatamente daria pretexto ao que muitos tão empenhadamente desejaram durante tanto tempo e ainda desejam hoje, encontrar um pretexto legal para fechar a TFP. Então eu não poderia dar-lhes esse pretexto e sendo monarquista militante afirmado e operante, eu sei que não tendo sido ninguém punido por esse pseudo-delito, por esta autêntica infração de uma lei injusta, entretanto, sobre a TFP despencaria – conforme o regime que estivesse em vigor no momento – a punição que eu não poderia querer para o bem do meu País.

Porque se estou persuadido e disso estou persuadido até as veras mais íntimas de minha alma, de que a TFP tem um grande papel a desempenhar no País, e que já vem desempenhando largamente e que o desempenhará ainda mais de futuro, se Deus quiser, persuadido disso, o meu amor ao Brasil me leva a querer preservar a TFP e esse desejo de preservação me impediu de ser um monarquista inteiramente militante.

Mas monarquista inteiramente declarado é uma coisa diferente. Declarado é aquele que diz "eu sou monarquista", aquele que o diz e dá as razões pelas quais é monarquista; aquele que o diz e tem ufania de o dizer; aquele que o diz não só em privado, em rodas, etc., mas como professor nas universidades, como colaborador nos jornais do país e daí para fora. Este não é um monarquista militante.

Eu fui toda a vida um monarquista – e sou – declarado. Nas salas de aula da velha Faculdade de Direito de São Paulo, nas salas de aula da Universidade Católica, nas salas de aula de outras cátedras que tenho ocupado, em livros, em artigos, em publicações de toda ordem, eu sempre me manifestei monarquista.

E monarquista me manifesto ainda num livro que está no prelo e que sem ter uma relação direta e específica com os problemas brasileiros, entretanto, os abrange, pois, trata do assunto em escala universal (“Nobreza e elites tradicionais análogas nas Alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana”).

E é nesta qualidade, portanto, de vosso irmão de ideais que eu vos dirijo aqui algumas palavras, para dar um balanço do que me parece a atitude da opinião pública brasileira, no momento, face ao ideal monárquico; e o que, como monarquista declarado e experiente, me parece oportuno aconselhar-vos a vós na presença augusta dos príncipes que aqui se encontram, como o meio mais direto de fazer com que a opinião pública brasileira caminhe cada vez mais para o ideal monárquico, e o Brasil saia deste verdadeiro pantanal no qual hoje se encontra.

Entro, portanto, diretamente no assunto.

Não poderia haver uma melhor ocasião para que se fizesse uma opção entre a causa monárquica de um lado e a causa republicana de outro lado.

Com efeito, uma escolha supõe, evidentemente, uma análise atenta da realidade e uma adoção de critérios segundo os quais essa análise deve ser feita. Segurança de critérios, exame atento da realidade, devem levar à escolha segura.

O Brasil nessa situação plebiscitária está num momento de uma escolha importantíssima. Desde que ele é país independente, não teve escolha tão importante quanto essa que se lhe depara nesse momento.

E nesta situação o Brasil tem dois elementos diante de si para aquilatar os valores respectivos da monarquia e da república: ele tem a prática e ele tem a doutrina. E é em face da prática e depois da doutrina que eu quero analisar o problema da opção entre monarquia e república como se põe diante da opinião pública brasileira.

Os senhores sabem bem que o Brasil teve sessenta e tantos anos de experiência monárquica, desde 1822 (data em que país se tornou independente e em que foi proclamado o Império do Brasil) até 1889. Nesse período teve vigência o regime monárquico parlamentar, a respeito do qual direi algumas palavras daqui a pouco.

De 1889 para os nossos dias, nós temos cento e tantos anos de vigência de regime republicano. Portanto, os períodos monárquico e republicano foram inteiramente suficientes do ponto de vista da duração para produzirem os frutos que teriam que produzir. E debaixo desse ponto de vista, a dupla experiência é inteiramente concludente. É concludente também pelos frutos que de fato foram produzidos.

Porque os frutos que a monarquia produziu foram frutos característicos de um bom regime monárquico quando funciona bem; os frutos que a república produziu são os frutos desgraçadamente, catastroficamente característicos dos regimes republicanos quando eles andam mal, quando eles funcionam mal; e mesmo muitas vezes quando eles funcionam bem.

Houve, portanto, um espaço de tempo largo, houve experiências grandes, houve experiências características e essas experiências convidam a uma confrontação.

Qual destas experiências atrai em seu favor uma opção, pede uma escolha? O que deve dizer, o que deve pensar a respeito disso a opinião pública?

O que “deve”. Eu fui cuidadoso no dizer isto, porque não é exatamente igual ao que pensa a opinião pública, não é igual com o que ela sente.

O trabalho das organizações monárquicas que, como a vossa, deve conduzir o Brasil a uma boa opção, deve conduzi-lo do que ele pensa agora para o que ele deve pensar, à vista dessa experiência. Depois mostraremos o que ele deve pensar à vista dessa doutrina.

Se nós fôssemos fazer um rol de todos os aspectos pelos quais a vigência do regime monárquico se caracterizou como inteiramente favorável a esse regime no Brasil, eu tomaria o vosso tempo durante essa tarde inteira, e provavelmente terminaria com o pesar de não poder tomá-lo noite adentro – alívio para vós, pesar para mim – porque tantas haveria coisas elogiosas a dizer do que a monarquia fez, tantos os pormenores a acrescentar, e na análise dos pormenores apontar a presença ativa do fator monárquico como causador do fruto bom apontado por mim, que seria um não mais acabar.

Mas, de um modo geral se pode dizer o seguinte: que se nós tomarmos tudo aquilo por onde o nosso pobre e querido Brasil de hoje anda como anda, se nós tomarmos tudo isso e fizermos um rol disso, nós podemos escrever ao lado desse rol o contrário e nós teremos aquilo que era o Brasil no regime monárquico.

Quer dizer, nós chegamos a uma calamidade difícil de imaginar, difícil de conceber, tendo como ponto de partida o regime monárquico que foi abolido, e a partir de cuja abolição nós caminhamos em direção às realizações republicanas.

Eu quase não saberia o que vos dizer a esse respeito, de tanto que há para dizer. Mas se nós considerarmos o desenvolvimento enérgico da agricultura e da pecuária, sobretudo da agricultura no tempo do regime monárquico, como a orla do Brasil plantado, do Brasil explorado, se dilatou por dentro do Brasil matagal e assim aproveitou as nossas riquezas naturais.

Se eu fosse analisar com os senhores o grande empecilho que havia para o aproveitamento desse progresso, que era a possibilidade de exportar largamente aquilo que nós produzíamos em quantidade muito maior do que as nossas necessidades e, portanto, o problema do transporte marítimo que se apresentava difícil naquele tempo, em que os modernos meios de comunicação não tinham atingido o desembaraço de transporte que temos hoje;

Se nós analisássemos o desenvolvimento da marinha no regime imperial, e não digo apenas a marinha de guerra, mas eu digo a marinha mercante que chegou a ser das maiores do mundo, para dar vazão a essa riqueza que em catadupas vinha nascendo do nosso trabalho, de nosso solo e que vinha penetrando mais ou menos por todo o Ocidente;

Se nós considerarmos a seriedade com que essas transações econômicas eram feitas, e a credibilidade e a respeitabilidade do Brasil em todos os mercados civilizados do mundo de então;

Se nós considerarmos o valor da moeda brasileira, se nós pensarmos no ágio, quer dizer, numa certa quantia que os que tinham dinheiro a guardar, pagavam para receber moeda-papel e não receber moeda-metal, porque a moeda-metal é realmente o valor; o papel-moeda é apenas um documento representativo do valor da moeda-metal. Mas, como a moeda-metal é pesada para carregar e difícil, como havia uma confiança absoluta na palavra empenhada na própria cédula do papel-moeda, e que mediante a apresentação daquele papel-moeda seria pago pelo Tesouro Nacional, em qualquer lugar do país, o equivalente em ouro. Como todas essas circunstâncias se conjugavam, nascia daí que para não carregar uma riqueza pesada, dura etc., preferiam carregar riqueza moral, a riqueza moral era o papel-moeda cujo valor efetivo era a moralidade do governo do país que emitia esse papel-moeda. E assim... [aplausos] E assim havia a preferência, o ágio do papel-moeda sobre a moeda-metal.

Bem, se nós considerarmos que ao par desse desenvolvimento econômico, dos quais eu apontei apenas alguns indícios, havia também a abertura das estradas, sobretudo, estradas de ferro, o aproveitamento das vias de comunicação fluviais, o estabelecimento de telégrafos, de correios, numa rede incomparavelmente maior do que no período do Brasil Reino Unido que antecedeu ao período do Brasil Império.

Se nós considerarmos tudo isso, nós não teremos considerado tudo e não teremos considerado o principal.

O Império teve a sua atenção muito voltada para o desenvolvimento adequado de uma riqueza do Brasil que por mais que se lhe elogiem as riquezas naturais, vale ainda mais: essa riqueza é o brasileiro.

O brasileiro inteligente, sutil, ágil, vivaz, do qual eu falei há pouco; com uma facilidade de compreensão que nós brasileiros só aquilatamos bem quando temos oportunidade de ter alunos não brasileiros. E fazemos o cotejamento entre a facilidade com que o brasileiro aprende e a dificuldade com que muitas vezes o não brasileiro percorre o mesmo caminho para a aquisição dos conhecimentos. Necessidade, portanto, de desenvolver ao máximo os recursos intelectuais do país.

A rede escolar, a rede universitária que se desenvolveu durante todo esse tempo. O apoio pessoal que o Imperador dava, ele mesmo, ao ensino. A tal ponto que quando ele ia a um lugar onde havia faculdades, não era raro que ele aparecesse inopinadamente para assistir aula. Os senhores podem imaginar o espanto do professor vendo um bedel afogueado chegar e dizer: "Sua Majestade está chegando, continua a sua aula!" [risos]

Coisa para pôr em embaraço muito professor. Tanto mais quanto o imperador era, ele pessoalmente, muito conhecedor de várias das matérias a respeito das quais o professor tratava em aula e podia, portanto, fazer uma censura adequada do valor da aula que estava sendo dada.

Quando os senhores consideram tudo isso, quando consideram a promoção do professor superior na vida pública nacional, quando os senhores consideram esse conjunto de fatores, os senhores entenderão bem que o império foi um sistema de promoção, de estímulo, do que há nos brasileiros de melhor. E como isto foi um elemento de progresso que está na fonte e na raiz de todo o progresso.

Porque a raiz do progresso não é a máquina, a raiz do progresso não é nem sequer a riqueza da terra, a raiz do progresso é o homem, fator de progresso. É de acordo com o que ele tem na cabeça, de acordo com as suas convicções, de acordo com a sua vontade de produzir, é de acordo com a sua capacidade de criar, é de acordo com isso que ele é rico. E é o maior fator de seu progresso e de sua verdadeira grandeza. Como tudo isso se desenvolveu no império.

São coisas todas elas tão sabidas, provavelmente tão repassadas entre vós, em vossas noitadas de conversação, de entretenimento monárquico em que mutuamente vos nutris de dados, de informações para vos fortificar nas mesmas saudáveis convicções em que eu os encontro. Tudo isso está presente e constitui o fundo dessa nostalgia monárquica, que eu não teria descrito inteiramente se eu não lhe acrescentasse uma nota que é o espírito de família.

A instituição da família viveu no Brasil monárquico os seus grandes dias. Ela nunca foi maior no Brasil do que no período monárquico. Em primeiro lugar, pela influência ainda relevante da Religião Católica herdada de nossos ancestrais brasileiros e dos missionários de várias nações que aqui vieram ter para criar em alguns lugares, entre os indígenas sobretudo, instaurar a fé de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas, é verdade também que essas instituições têm, como tudo quanto é bom nesse vale de lágrimas, seus aspectos de fragilidade. E que entre esses aspectos de fragilidade está o que é a fragilidade natural da instituição da família.

A instituição da família deve ser conhecida, deve ser discernida no que ela tem de frágil pela própria fragilidade da natureza humana. Deve ser protegida pelos costumes, deve ser protegida pela lei, ela deve ser protegida sobretudo por aqueles que ocupam na hierarquia social as mais altas categorias, e a partir dos quais o bom exemplo deve baixar gradualmente, como um toque festivo de sinos, sobre toda uma região, sobre toda uma nação. O bom exemplo dos que estão de cima é o toque de sino alegre e festivo que o espírito da Igreja, o ensinamento da Igreja dá para completar o magistério dado outrora, sobretudo – tanto mais quanto infelizmente hoje... –   outrora sobretudo, dava aos integrantes da família para que compreendessem que as castas núpcias, a fidelidade conjugal, o amor recíproco, o espírito de sacrifício mútuo entre os cônjuges que forma o próprio cimento que une uns aos outros, o esposo e a esposa, e que ensina pelo próprio exemplo do sacrifício, o espírito de sacrifício aos filhos, que depois serão eles também pais e mães de família, que sabem que a família não é apenas um estado de delícias, mas que a família é também muitas vezes um calvário, e que é preciso saber subir até o alto como fez o Divino Salvador, para a partir dEle dar o bom exemplo.

Ah! Quando se sabe disso, que fortaleza, que solidez toma a instituição da família. E como a instituição da família é aquela da qual brota a vida legitimamente nascida, a vida abençoada pelos sacramentos da Igreja, abençoada pela bênção de Deus. Aonde a família é pujante, aonde a família vive com integridade de espírito, aí tudo vive e floresce.

Essa pujança do Brasil imperial é uma pujança do Brasil familiar, do espírito de família do Brasil. Mas entre o Brasil imperial e o Brasil familiar há uma conexão que é importante acentuar. E a conexão é o bom exemplo dado pelo imperador D. Pedro II, pela imperatriz Tereza Cristina, pela princesa Isabel, pelo conde d'Eu e pelos demais membros da Família Imperial na manutenção de uma vida familiar perfeita que era o espelho da Nação. Mais ainda. Era um turíbulo do qual se evolava como num templo um incenso de agradável perfume que enche todo o edifício sagrado, assim também era o espírito de família.

O Imperador D. Pedro II soube ser o grande pai do Brasil inteiro. Já velho, com as suas barbas brancas, com a cruz do exílio, da deposição do exílio que o esperava nas dobras das incógnitas da História, mas que ele ainda não conhecia, com o aspecto patriarcal que lhe viera das tribulações da guerra do Paraguai e com outros problemas que ele teve que enfrentar durante a gestão imperial. Ele tomou um ar de patriarca venerável que mais lembrava os patriarcas do Lácio primitivo, da era romana inicial, tão elogiada pelos historiadores do tempo romano de nossos tempos, do que propriamente a um homem contemporâneo do tempo dele. Um homem da alegre, gaudiosa, festiva e tantas vezes pouco séria Belle Époque, dentro da qual ele viveu uma parte de sua vida e na qual ele morreu.

D. Pedro II, se eu ousasse dizer, ou empregar a expressão, era uma espécie de papaizão de todos os brasileiros, e tratava paternalmente dos assuntos nacionais. Sabia temperar a austeridade e às vezes até a severidade – e uma meritória severidade – com a bondade, com a condescendência, com a gentileza. De maneira tal que ele era o pai justiceiro a quem os prejudicados recorriam, mas ele era também o pai bondoso a quem recorriam aqueles que precisavam de indulgência, que precisavam de tolerância para poderem reconstruir as suas vidas e reencetar a caminhada interrompida no caminho do bem.

E daí vinha o fato de ele ser um imperador cuja perda os brasileiros choraram mais como quem chora a perda de um pai, do que como quem chora a perda de um chefe de Estado.

É esta atmosfera de família enorme que D. Pedro II soube comunicar a todo o Brasil. E uma espécie de bem-estar de alma que marca a era imperial, em que se tem a impressão que todo mundo está distendido e vive à vontade, era um dos fatores mais importantes da solidez das instituições, e da confiança com que o Brasil caminhava para o futuro.

Este foi, em traços muito gerais, muito gerais, foi o balanço positivo do período imperial.

Nós temos então um período histórico caracterizado por um regime, pela aplicação desse regime exatamente como devia ser, com a monarquia monárquica mas ao mesmo tempo parlamentar, verdadeiramente monárquica, o Imperador não era uma mera figura de proa. Falava-se até contra o seu poder pessoal, feliz poder pessoal que consistia não em que ele abusasse das atribuições constitucionais, mas em que fosse tamanho o seu prestígio como homem, como pai, como o brasileiro máximo, que o seu poder ia para além da Constituição sob o aspecto de influência, e ele influenciava o Brasil inteiro. Feliz e honroso prestígio do Brasil da monarquia.

Era esse o quadro geral apresentado pelo Brasil monárquico e o saldo enorme, para as proporções que as coisas tinham naquele tempo, o saldo enorme, positivo, do Brasil monárquico. Saldo experimental.

O homem contemporâneo dá muito valor à experiência. Ele quase só acredita no que é experimental, no que foi tocado, no que foi sentido etc. Infeliz herança do positivismo republicano.

Está bem, eu quase diria cacoete positivista de só olhar para a experiência e só atender a experiência, permite à apologia monárquica esse luxo que é a de declarar o seguinte:

Examinem tudo, analisem tudo, não olhem para nenhuma doutrina, olhem somente para a realidade histórica e para o que foi produzido e digam: foi ou não foi esplêndido? Se a monarquia constitucional tem frutos a dar, esses frutos a dar não podem ser maiores do que os que foram dados aqui. A experiência é positiva, ela mostra bem o quanto esta forma de governo se ajusta às necessidades do Brasil.

Vamos passar daí para o Brasil republicano.

Valerá a pena? [risos]

Será necessário?

Eu me preparava para fazer esse triste balanço quando eu li nos jornais de hoje uma notícia a respeito da qual eu me dispensarei de dar pormenores se a maior parte dos senhores tiver lido essa notícia, e achar inútil uma explanação mais detalhada a respeito dela.

A notícia é de que no Congresso Federal, portanto, Câmara dos Deputados e Senado, foi aprovado – não me lembro bem – estou com o recorte aqui, mas por 50 ou 60 deputados um projeto de lei pedindo que no Brasil fosse – os que não viram isso estarreçam e segurem-se nas cadeiras – restaurado o instituto da escravidão! [Burburinho na sala.]

(D. Bertrand: Foi a "Folha de São Paulo" que publicou.)

Foi a "Folha de São Paulo que publicou isso.

(D. Bertrand: Eles assinaram sem ler e...)

Assinaram sem ler. Vou dizer daqui a pouco, coisa incrível!

(D. Bertrand: Escravidão e o Brasil voltar a ser colônia de Portugal também.)

Pois é!

(Sr. -: É mais um argumento para nós.)

Bem, e em segundo lugar que o Brasil revertesse à condição de colônia de Portugal. [risos]

Quer dizer, o inimaginável. É como se alguém me propusesse de comer para o jantar esse microfone, é uma coisa que vai por aí. [risos]

Bem, e o projeto tem pormenores. O projeto é tal que propõe que o Brasil seja governado por um funcionário vitalício nomeado pelo presidente de Portugal. Explicando que desta maneira ficaria mais barato – eu não vejo bem por que – a manutenção da máquina colonial portuguesa no Brasil. E depois uma série de outras medidas que vão nesta linha.

Agora, o pior não é que um deputado meio amalucado ou totalmente amalucado tenha feito essa proposta. O pior é que se verificou logo depois de publicado o fato, se verificou que se tratava de uma... eu não chamaria isso de gracejo, talvez pudesse chamar de palhaçada inventada pela "Folha de São Paulo", órgão que hoje em dia é nitidamente de esquerda, mas que prestou à monarquia este grande serviço de fazer o seguinte teste:

Esse projeto é falso. Há na Câmara dos Deputados e no Senado umas moças, umas girls especialmente incumbidas de conseguir dos deputados que assinem projetos de lei. Essas moças, que são funcionárias da Câmara dos Deputados, parece que atazanam desde a manhã até à noite os deputados para assinarem tal, tal e tal outro projeto de lei. E como eles julgam que tem muito o que fazer, e eu creio que sim porque a produção de leis que eles fazem é contínua e terrificante...

Cícero, o célebre orador romano do Senado, tinha essa expressão: pessima res publica, plurimae leges: quando a república vai muito mal é preciso fazer muitas leis. Quando se fazem muitas leis é sinal de que tudo vai mal. É por isso que nunca se fez tanta lei no Brasil quanto contemporaneamente.

Esse hábito de fazer leis faz com que os deputados não tenham tempo de ler todas as leis que eles mesmos propõem. E então uns deputados pedem a outros que assinem projetos de lei sem ler. Essas girls são incumbidas desse papel de meio mensageiras, e então elas inventaram, com o auxílio da "Folha", a existência de um suplente de deputado, José Fagundes, que estaria para assumir a cadeira de um momento para o outro e que já vinha preparando leis. E o José Fagundes imaginário, pedia a todos os seus futuros colegas que assinassem o máximo de projetos que essas girls estavam levando para eles verem. E eles então olhando apenas o cabeçalho e o nome do signatário – um nome que eles não conheciam, porque José Fagundes não existe no congresso – então eles olhando isto, assinavam. E o resultado é que assinaram enormidades como essas, e outras coisas de pura brincadeira, sem terem idéia do que estavam assinando.

Bom, aí começam a aparecer outros pormenores a respeito da Câmara dos Deputados.

D. Bertrand que tem muito boa memória talvez se lembre de alguns desses pormenores?

(D. Bertrand: Eu não li a notícia inteira. Só vi a primeira página, mas tem a relação de todos os deputados.)

É, eu também não tenho isso aqui. Seria preciso ler e é muito mofino estar procurando etc.

Mas a coisa anda por aí, eu não garanto os números, mais ou menos...

(D. Luiz: 57 deputados que assinaram.)

Diz D. Luiz que 57 deputados assinaram.

Bem, eles são interrogados pela "Folha": "Como é que assinaram isso?"

Então a maior parte deles dá essa explicação. Que eles têm pena dessas "gurias" – no Sul se usa o feminino para guri, em São Paulo tanto quanto eu saiba não se usa – as tais mocinhas, eles tinham pena delas porque elas precisavam viver e então eles iam assinando o que elas pediam.

Assim se faz uma lei! Os senhores podem imaginar uma coisa dessas?!

Mas a Câmara dos Deputados tem uma repartição com mais ou menos dois mil funcionários para fazer discursos... [vira a fita]

Eu sou muito mais um pensador e um teórico do que um homem prático. Tenho alguma prática, porque não foi em vão que vivi meus 84 anos, mas sou mais um homem afeito ao pensamento. Independente disso, eu digo, entretanto, que há uma experiência prática em favor – mais especificamente porque eles foram mais concernidos nisso do que os demais príncipes da Família Imperial – uma experiência prática em favor dos príncipes D. Luís e D. Bertrand de Orleans e Bragança. A partir do momento em que os direitos de D. Luís ao trono do Brasil foram sendo afirmados cada vez de um modo mais peremptório, começou a nascer contra ele uma oposição.

E toda oposição tem que encontrar um defeito para alegar contra a doutrina ou contra a ação da pessoa a quem quer fazer oposição. Isso é uma exigência de uma oposição. Porque quando encontra uma pessoa a quem a gente quer fazer oposição, e nada há que alegar em matéria de doutrina, como não há que alegar em matéria de ação, então não adianta fazer oposição; fecha a boca, não tem nada que fazer.

Durante os talvez dez últimos meses ou um ano, qualquer coisa assim, de ação pública muito pronunciada, que ninguém mais pode ignorar, desses dois Príncipes, eles foram continuamente atacados. Quer dizer, procurou-se o que dizer contra eles, e a única coisa que se conseguiu dizer contra eles foi isso: eles são membros da TFP. [aplausos]

Feliz do país dirigido por homens contra os quais os mais empedernidos oposicionistas não encontram uma palavra a dizer a não ser a seguinte: eles são membros de uma organização da qual se pode dizer – e eu digo afirmativamente, porque eu não temo provas em sentido contrário em nenhum terreno – da qual se pode dizer o que o espírito ainda cavalheiresco da França do século XVI disse de uns dos seus mais insignes guerreiros: Bayard. Quando ele expirou, qualificaram de « chevalier sans peur et sans reproche ». Quer dizer, cavalheiro que não tem temor, e ao qual não há inculpação que fazer.

O que é a TFP? É uma organização “sans peur et sans reproche”. [aplausos]

O que em última análise se pode dizer da TFP ao cabo de trinta anos de existência, em que continuamente contra ela se fizeram "estrondos" publicitários? Nada. Os estrondos se levantaram como gigante Adamastor do Cabo das Tormentas, de Camões. Uma figura tremenda, feita de névoas, feita de neblinas, feita de salpicos de água salgada, que ameaçavam deglutir os tímidos passageiros que procuravam dobrar o Cabo das Tormentas, depois chamado Cabo da Boa Esperança. Mas para quem tivesse coragem, era ir por cima da figura de névoa e ela não teria importância nenhuma. Esses foram os ataques feitos à TFP. Ataques inconsistentes, ataques sem valor nenhum, aos quais a TFP respondeu.

E a história de todo "estrondo" publicitário contra a TFP é essa: um ataque virulento, fortemente orquestrado pela mídia. Isto é o primeiro ato.

Segundo ato: uma resposta da TFP, cortês sempre, caluniadora nunca; nem sequer difamadora. Nós não perdemos tempo em difamar os nossos adversários. Nós apenas limpamos o nosso nome de qualquer nódoa com que se procure maculá-lo. Nós provamos que as objeções contra nós são infundadas, mais nada.

Não nos preocupamos com a pessoa moralmente tantas vezes pouco limpa dos que nos agridem. Que isso fica para os transbordos da História, não nos interessa.

Terceiro ato: silêncio. Quer dizer, sempre é ataque, defesa, silêncio. Não tiveram mais nada que dizer.

Esta uniformidade no insucesso aos ataques à essa organização “chevalière sans peur et sans reproche”, esta uniformidade marca bem a história da TFP, e diz bem por que é que também contra esses insignes príncipes, nada se pode dizer. É que quando não se pode dizer nada contra a causa, não se pode dizer nada contra o efeito.

Se uma organização propõe uma formação fundamentalmente católica, e lídimamente moral, e aqueles que aceitaram no uso de seu livre arbítrio essa formação, e nela se mantêm, contra eles nada se poderá dizer também.

E daí vem a inutilidade de qualquer polêmica que vá além disto: "a TFP é muito radical".

O que é ser radical?

Então os príncipes são muito “radicais”. Isso foi escrito muitas vezes contra eles. O que é ser radical?

Radical é uma palavra que vem do latim. Radix, raiz. Radical é aquilo que tem raiz. Uma planta que tem raiz vigorosa é uma planta muito radical. Um jequitibá brasileiro é uma planta muito radical, porque não se deixa destruir por qualquer um, porque não se verga a qualquer tempestade, e porque suas raízes não podem ser arrancadas do solo. Este é o emblema da radicalidade.

Já me passou pela cabeça, de no nosso brasão, apresentar o leão da TFP segurando nas mãos um jequitibá, imagem da radicalidade das coisas que são do solo brasileiro. E dizer: é isso mesmo, rijo, autêntico, não se dobra, nem foge, nem se curva. Essa é a TFP. [aplausos]

Há radicais nos setores de opinião pública brasileira que são de esquerda?

A resposta é essa: há.

Radicais por quê?

Os radicais da esquerda são verdadeiramente radicais. E eu escrevi um artigo que valeu por um manifesto que foi publicado em muitos jornais do Brasil e do exterior. Tinha qualquer coisa de Orla do século XXI, eu não me lembro bem do título do artigo ("Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio"). Mas afinal de contas, à vista da queda da Cortina de Ferro, levantava a questão seguinte:

Caiu a Cortina, e todo o mundo ficou vendo o que há lá por detrás: desordem, tirania e miséria. Agora, meu artigo não é dirigido contra vocês, pessoas de base das esquerdas; é dirigido contra vocês, pessoas de cúpula da esquerda cujos nomes eu não vou mencionar porque a polêmica pessoal, a pura detração pessoal, não exerce sobre mim a menor atração, mas eu vou dizer genericamente, e todo o mundo saberá de quem eu estou falando. Vocês que foram dirigentes do partido comunista brasileiro, vocês que, segundo todo o mundo sabe, foram várias vezes à Rússia comunista, e tiveram a ocasião de ver a miséria que havia lá, vocês que puderam ver que essa miséria era causada por esse regime, vocês que puderam ver que esse regime gastava milhares de rublos ou de dólares para fazer a propaganda de si mesmo no exterior, mas não permitia que qualquer um entrasse lá para ver o que é que havia, nem permitia que qualquer um tendo entrado, circulasse em qualquer lugar de lá sem licença da polícia.

Quer dizer, alguém que tem aqui – vamos dizer que isso fosse uma caixa – uma caixa e eu quero vender o produto dessa caixa. Então eu digo que o produto é muito bom, e digo uma porção de coisas sobre esse produto. A caixa está sobre a mesa e vários dos senhores seduzidos pelo que seria o meu poder de argumentação, diria: então me dá cá, eu vou abrir essa caixa e ver o que tem dentro, conforme for eu compro.

– Não, não, mexer não pode. Não pode abrir nem pode ver. É muito bom, mas se quiser compre sem abrir.

Eu digo: isso é sério? Alguém toma isso a sério?

Era o que a Rússia fazia. Todo o mundo sabia que ela fazia isso. Não havia uma pessoa que negasse isso.

E vocês líderes dos partidos comunistas do Brasil, como do mundo inteiro, iam lá e sabiam disso. Como é que vocês silenciavam? Como é que vocês consentiam em ser os propagandistas desta miséria e dessa tirania no Brasil? Como é que vocês trabalhavam para que este sistema entrasse no Brasil e criasse raiz no Brasil? O que é que vocês queriam para o Brasil quando faziam isso? Que intenção tinham? Tenham a bondade de explicar.

E, coisa delicada para dizer, mas que é preciso ser dito, senhores diplomatas brasileiros, senhores do Itamaraty, os senhores também não sabiam? Por que é que sobre isso se manteve esse silêncio terrível? Silêncio, silêncio, silêncio, e mais silêncio.

De repente, destampa a caixa e o que se encontra dentro é o que o cardeal Ratzinger, numa de suas entrevistas pouco anterior à queda da Cortina de Ferro, qualificou de vergonha do gênero humano, a miséria que havia na Rússia.

Agora, tenham a bondade de explicar por que faziam isso.

Explicação nula, silêncio completo.

Isto é radicalidade. Vocês eram tão fanáticos dos erros que defendiam, que chegaram até esse extremo, de por amor a esses erros querer empurrar para dentro deles o Brasil.

Mas esta forma de radicalidade má, e não da radicalidade boa que eu descrevi há pouco, esta forma de radicalidade má, esta forma ninguém ataca. Os senhores nunca ouviram atacar a esquerda por sua radicalidade. Radicalidade é só quando é radicalidade de direita. É radicalidade da TFP. Dois pesos e duas medidas. É segundo essa lei, é segundo essa “lógica” que sofrem “ataques”, que não são ataques, que são bolhas de sabão que esvoaçam pelo ar, e deslumbram e depois se desfazem, são os ataques feitos às Suas Altezas Imperiais os Príncipes D. Luís e D. Bertrand de Orleans e Bragança.

Isso dito, meus caros, caminhamos para a parte final de nossa dissertação que por cortesia eu não vi o relógio, mas teria sido mais cortês se eu tivesse visto, e eu me teria estendido menos sobre a matéria. Eu vou resumir bem.

Isto nos leva então à parte final da exposição.

É diante da escolha entre a monarquia parlamentar e a república, seja ela presidencial ou parlamentar, pouco importa, é república; diante dessa escolha, os fatos bradam a favor da monarquia.

Então como explicar que um país de gente cuja inteligência eu acabo tão repetidamente de exaltar, que esse país hesite, e que na sua maioria fique meio apalermado, meio sem saber para onde se voltar? Qual é o fator que leva, diante de uma escolha tão clara, um país tão lúcido à uma atitude que, por enquanto, ainda é menos lúcida do que nós poderíamos esperar?

É a parte final. Porque conhecido esse fator, está claro o que é preciso derrubar para que no plebiscito vença o Brasil monárquico.

Não sei se o fio do raciocínio está claro?

Os que desejariam uma repetição disso, é só levantar o braço que eu exprimo. A coisa parece clara.

Então a resposta é a seguinte.

Há um fator de ordem psicológica que atua profundamente no mundo contemporâneo, e que por mais que se queira dizer que o mundo de hoje não é sensível a circunstâncias de caráter doutrinário, nós podemos verificar habitualmente nos nossos contatos com as pessoas, quanto esse fator atua.

Os senhores procurem expor tudo quanto os senhores conhecem, e que é tão decisivo a favor da restauração monárquica, a estes, àqueles e àqueles outros. Os senhores se encontrarão numerosas vezes diante dessa situação concreta:

Quer dizer, as pessoas não têm o que responder ao que os senhores alegam, mas embora não tenham o que responder, não se deixam convencer. E embora não elogiem a situação presente do Brasil, não optam por uma mudança de situação. Qual é a razão?

Façam essas pessoas falar um pouco, e em um número muito grande de casos – quanto à minha experiência pessoal, em um número fortemente majoritário de casos; talvez as experiências pessoais dos senhores não sejam tais – mas a coisa dará no seguinte: a monarquia é uma forma de governo que traz consigo uma forma de organização social, de vida cultural, de atmosfera psicológica que toma como ponto de partida a desigualdade entre as pessoas. No píncaro da organização política e social está o Imperador. E está com o Imperador, a Família Imperial. Depois abaixo deles está mais ou menos conforme a organização que a monarquia venha a ter no Brasil, está a nobreza. Cada nobre, no fundo, bem analisados as coisas, pode ser tido até certo ponto como miniatura do Imperador.

O nobre, embora não haja mais feudos, não haja mais terras sobre as quais ele exerça influência política, habitualmente há uma área social que recebe a influência do nobre. E sobre essa área, o nobre com sua família tem uma saliência, um relevo, um destaque, que lhe vem do fato de ser nobre, e, portanto do fato de ter herdado, na maior parte dos casos, um título de nobreza. E isto faz com que o nobre, em relação ao não nobre, tenham um certo distanciamento e uma certa superioridade que tem analogia, embora em ponto muito menor, com a superioridade da Família Imperial sobre os nobres. Digamos assim.

E depois da nobreza, nós temos então a classe mais modesta que é a classe dos plebeus. Dividida em dois setores, aliás, bastantes diferentes, e bastantes desiguais. Esses setores são a alta burguesia, ou a burguesia se quiserem, e o proletariado.

Na burguesia, os senhores podem fazer a distinção entre a alta burguesia, a média burguesia, e a pequena burguesia. Por debaixo disso passa um traço e vem uma outra classe social que é o proletariado.

Esta organização, porque se baseia na desigualdade, se afigura ao homem contemporâneo como uma organização antipática e injusta. E é por esta razão que ele não simpatiza com a existência de uma família privilegiada sobre as outras, a dinastia. Nem de famílias que representam em ponto um pouco maior, ou um pouco menor, a dinastia junto a outras camadas sociais: a nobreza. Como também não simpatizam com uma burguesia que é mais do que o proletariado, porque se lhes afigura que toda desigualdade entre os homens é uma injustiça. Que segundo a lei do Evangelho pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo, esta injustiça é algo que faz sofrer os que estão debaixo. E que o fazer sofrer é o contrário do ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso Senhor Jesus Cristo veio à terra, e como disse São Pedro, pertransit benefaciendum: Ele passou pela Terra fazendo o bem; Ele passou pela Terra aliviando as dores, curando os doentes, ressuscitando os mortos, consolando as pessoas que padeciam, dando esclarecimento às que estavam nas trevas e não compreendiam as coisas, estavam no paganismo, estavam envoltas com os erros que tinham invadido a religião judaica, etc., Ele era o portador da verdade, do bem, etc.

Nosso Senhor Jesus Cristo, no nome dEle não se pode justificar a difusão de uma doutrina, ou a organização de uma sociedade da qual é próprio, pela própria desigualdade, fazer sofrer. E por causa disso, a instituição monárquica, como a aristocrática geram uma oposição republicana. Com a república burguesa, gera por sua vez uma oposição comunista. Por quê? Porque toda desigualdade é um mal, e o bem está na igualdade completa.

Então nós temos que ir desde logo às conseqüências. Se isso fosse verdade, a única regra de justiça no mundo seria o comunismo. E quem adotasse esse modo de ver a Religião Católica, de interpretar a Religião Católica, este deveria logicamente fazer-se comunista.

– Ah não.

Não por quê? O que é que dentro de seu esquema de raciocínio está errado? Você se baseia nesse raciocínio para ser contra toda desigualdade, e na hora de instituir a igualdade completa, você não a quer? Onde é que está sua lógica? Quem é você? Que uso faz você de seu intelecto?

São perguntas que têm todo cabimento.

Na realidade, este assunto exatamente assim como eu o vou tomando, este assunto tem sido tratado várias vezes pelos Pontífices romanos. Notadamente a partir do papa Pio IX (portanto, no século XIX) até os nossos dias. E este problema tem sido sistematicamente por eles resolvidos da seguinte maneira:

Deus seria perfeitamente livre de criar ou não criar os seres que Ele criou. Mas, criando os seres, era preciso que esses seres fossem bons, porque Deus sendo infinitamente bom, não pode criar aquilo que é ruim. E por causa disso, Deus teria que criar esses seres – não se espantem com a conclusão – parecidos com Ele, porque Ele é o modelo de todo bem. Portanto, esses seres teriam que ser parecidos com Ele, mas parecidos no modo pelo qual é possível que sejam parecidos.

O que quer dizer isso?

Se Deus criasse um só ser perfeitamente bom, santo e poderoso, igual a Ele, Deus, Ele faria o impossível. Porque Deus pode criar outras criaturas, mas não pode criar outro Deus. Isto está numa impossibilidade metafísica, ensinam os papas. A criatura tem que ser menor do que o Criador, porque a criatura é um efeito, e o Criador é a Causa, e o efeito é sempre menor do que a Causa.

Se é verdade que o criar faz sofrer sempre o inferior porque ele queria ser igual ao superior – este é o ponto fraco desta análise igualitária – se é verdade que o inferior deve sofrer sempre porque ele não é igual ao criador, então só houve uma criatura que teve razão até hoje: foi satanás.

Quando, imaginando-se igual a Deus, ele não quis aceitar que Deus criasse uma natureza humana unida à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que Deus criasse Jesus Cristo, Satanás ficou furioso, nos conta o Gênesis, porque Deus lhe revelou que ia criar um homem ligado a Deus, formando com Deus uma só pessoa na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. E satanás ficou indignado de um ser menor do que ele, Jesus Cristo, ser maior do que ele. Porque Jesus Cristo iria ser Homem-Deus: como homem, menor do que ele, mas mandando nele, e ele não queria; como Deus, maior do que ele, e ele não dava a Deus o direito de criar uma pessoa maior do que ele. E daí a revolta dele.

Quis ut Deus? foi a réplica de São Miguel Arcanjo.

Satanás bradou: eu não servirei. É o brado de todos aqueles que sustentam que qualquer superioridade, qualquer grandeza, machuca aquele que está embaixo. Satanás bradou isso, e São Miguel Arcanjo bradou: Quis ut Deus?: quem é igual a Deus? Como quem diz: "Você, um anjo como eu, você atreve-se a se dizer que é igual a Deus? Deus resolveu, nós temos que obedecer, eu amo de obedecer, eu amo de admirar, eu amo de fazer a vontade dEle, eu agradeço a Ele que me criou e vou fazer o que Ele quer de mim."

Mas satanás, invejoso, não queria que Deus fosse maior que ele, não queria que Jesus Cristo fosse maior do que ele, porque a ele doía ter maiores.

A São Miguel Arcanjo não doía. A São Miguel Arcanjo era uma alegria colocar-se diante de Deus e dizer: "Como sois perfeito, como sois magnífico, como eu vos adoro, como eu me alegro convosco, com Vossa grandeza, eu vos obedeço."

São dois espíritos. Um espírito de admiração, de abnegação em favor daquele que é maior, e o espírito de inveja e de destruição daquele que é maior. É o invejoso que não gosta de ver o maior. É o homem reto, generoso, que olha para o bem de todos, e, portanto, também de quem é maior, e com isso se alegra, é esse que é o homem verdadeiramente de espírito reto e conforme aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E se nós pegarmos de A até Z o Evangelho, com a interpretação sapientíssima que lhe dão os Papas, nós vamos encontrar esse princípio: a desigualdade não faz sofrer. A desigualdade é uma fonte de alegria. Quem vê algo de mais belo se regala.

 

Eu dou o exemplo de um turista. Não sei por que me lembro de uma tarde magnífica que passei com alguns companheiros de luta nas fileiras da TFP, no castelo de Chambord, na França. Um castelo lindíssimo que vários dos senhores terão visto. Os Príncipes aqui presentes, muito provavelmente.

Eu me encantei com o castelo de Chambord. Os meus amigos também. Não me passou pela cabeça dizer o seguinte: quanto meu apartamento na rua Alagoas é ínfimo em comparação com esse castelo que os reis da França outrora habitaram. Ainda bem que esse castelo está vazio e não tem reis ali vivendo num esplendor que não é o meu, e nem é para mim, uma vez que eu vivo no meu apartamento, digno, mas um simples apartamento privado, na rua Alagoas, no bairro de Higienópolis.

E o ver o castelo de um outro, a grandeza de um outro, a pompa de um outro, e admirá-lo, dar graças a Deus por ter dado isso ao outro, engrandecer, exaltar a Deus porque Ele fez algo tão alto quanto é aquele, isto é o modo que eu tenho de mostrar meu amor a Deus e minha abnegação e minha renúncia.

Eu não serei senão eu. Graças a Deus! Se eu no Céu não for senão Plinio Corrêa de Oliveira, eu não quero outra coisa, pois que Deus fez no Céu um lugar para todos, e eu faço parte de todos, e há um lugar que Ele destinou para Plinio Corrêa de Oliveira, se Plinio Corrêa de Oliveira andar bem na Terra.

Então, eu desde já dou graças a Deus por esse lugar, inferior a tantos, superior talvez a alguns outros, que fará com que nesse lugar, eu encontre a realização do desígnio de Deus para mim, e uma felicidade inebriante que é a felicidade que Deus dá no Céu aos que O admiram desinteressadamente e O amam.

Isto faz com que na Terra, a gente admire e ame as hierarquias devidas. E no exército, os de menor gradação, amem os de maior gradação. Na organização escolar, os professores primários considerem os secundários; e os secundários aos universitários; e os universitários aos post-graduados, e daí para frente. E em toda a Terra nós vemos uma verdadeira coleção de desigualdade, que esta sim reflete a Deus.

São Tomás de Aquino, o grande São Tomás de Aquino explica a esse respeito, que não podendo haver uma só pessoa que tenha todas as qualidades divinas, é preciso haver a desigualdade das pessoas. E que é o conjunto dessas desigualdades que forma o encantamento divino de todas as coisas que são segundo Deus. E que nesse sentido se deve amar a desigualdade. E o número de citações pontifícias, de documentos papais, ensinando o mesmo é esmagador.

Aqui nesse livro, que não está fechado e os senhores poderão ler – aliás, está para ser publicado; eu não vou ler aqui porque está tarde demais – os senhores poderão ver à vontade o número de citações de papas dizendo o que eu estou dizendo, é sem conta.

O que tem é que é preciso, a esse elogio da desigualdade, acrescentar um senão. Senão esse elogio é antipático e não pode ser engolido. Qual é esse senão? É o seguinte:

Se é verdade que entre os homens deve haver a desigualdade, é verdade também que essa desigualdade deve ser proporcionada com a natureza humana. Quer dizer, todo homem deve ter uma desigualdade que não o rebaixe além daquilo que é própria à dignidade do homem, e mesmo do menor de todos os homens.

Eu me lembro num tratado de História, ter lido esse fato: que entre os documentos das pirâmides, se leu uma carta de uma espécie de cônsul do Egito, no Oriente Próximo, ao faraó. Ele conta coisas ao faraó, dos interesses do Egito. Mas o que interessa não é a carta, é a saudação da carta. A saudação é a seguinte:

"Fulano de tal, indigno de beijar os teus pés, indigno de beijar as patas de teus cavalos, beijo o pó em que a pata dos teus cavalos se pousou".

Ora, isso é um disparate. Um homem ser indigno de beijar os pés de outro homem, já é... bem quanto a ser indigno de beijar as patas do cavalo! Um homem! As patas do cavalo de outro homem! E contentar-se em beijar o pó onde as patas desse cavalo se pousaram, isto é uma negação da dignidade do homem enquanto homem, porque ele vale muito mais do que aquele cavalo. E então há um limite que está na dignidade do próprio homem, um limite além do qual a desigualdade não pode chegar.

Há também um limite além do qual a pobreza não pode chegar. Todo homem deve ter, pelo fruto de seu trabalho, o necessário para manter-se em estado de saúde, dignamente, a si, à sua esposa, e aos seus filhos. O verdadeiro – isso são doutrinas papais – é que a família do trabalhador manual possa viver em sua casa, e o excelente é que seja uma casa própria do trabalhador manual, e em que, em nenhum caso, a esposa seja obrigada por necessidade de vida, a ir trabalhar num lugar fora, deixando os filhos ao abandono. E que quando os pais forem velhos, eles possam ter recebido durante a vida, um salário suficiente, para que, economizando de um modo razoável, sem penúria, mas de um modo razoável, eles acumulem um dinheiro necessário para depois viverem do dinheiro que acumularam, e deixar, portanto, uma modesta ajuda para os filhos, que terão nisto um meio de subir ainda mais. De maneira tal que gradualmente o conjunto social vá melhorando, vá sentido em condições cada vez mais seguras, mais tranqüilas, mais largas, mais folgadas. Isto é o limite que a desigualdade tem que ter.

Quando a desigualdade é tal que um está no auge da fortuna e o outro está morrendo de fome, essa proporção harmônica está sendo violada, e então ela transgride a própria Lei de Deus.

Então se trata de uma desigualdade harmônica, de uma desigualdade cristã em que as exigências todas da natureza humana, enquanto natureza humana, sejam atendidas. E é nisto que consiste a famosa opção preferencial pelos pobres, a respeito da qual fala, com tão explicável insistência, o atual papa João Paulo II.

Mas isto garantido, assegurados certos outros direitos do trabalhador...

Uma vez eu fui visitar uma fábrica "x", e verifiquei que uma máquina estava parada, e a pessoa que me conduzia para visitar – como visitante – eu notei a máquina parada, e ele me disse: o senhor está estranhando essa máquina parada, não é?

– Realmente, os senhores estão com tudo funcionando tão bem, eu não compreendo. Uma máquina é um capital, por que é que não está rendendo?

Ele disse: é muito simples, é que muito recentemente, um operário nosso que trabalhava nessa máquina, descobriu um outro modo de estruturar essa máquina pelo qual a produção fica mais barata e mais abundante. E por causa disso, essa máquina está em desuso. Vai ser desmontada para ser posta aqui, a máquina ideada por esse operário.

A pergunta que me veio à cabeça é: está muito bom, esse homem que descobriu isso, ele não enriqueceu a você, proprietário? E ele não vai receber uma parte proporcionada nesse enriquecimento que ele deu? Então o intelecto dele enriqueceu seu bolso, e do seu bolso não sai nada para que ele viva melhor? Não há um pagamento que é devido a isso?

Quantas situações análogas a essa há, e cujo atendimento é preciso garantir.

Mas garantido esses direitos fundamentais para a pessoa humana, a desigualdade é uma condição de bem. Porque então para o pequeno operário, o gosto é de ver o operário maior, e o gosto do operário maior, é ver a vida do outro, e assim por diante, por diante, por diante.

Isso me lembra – e com isso em encerro essa reunião –, isso me lembra um fato da São Paulo contemporâneo.

Eu morei no meu tempo de pequeno no bairro dos Campos Elíseos, e esse bairro era muito misturado. Havia casas muito boas, verdadeiros solares, e havia casas de pequena burguesia, e até casas operárias. Em frente à minha residência, havia um renque de casas operárias. Do outro lado havia um renque de casas da pequena burguesia. E dessas casas da pequena burguesia... [troca de fita] ... a um hospital.

E um médico com toda a indumentária médica, mas que eu não reconheci, avançou-se em direção a mim e me disse: "Dr. Plinio, como vai o Sr.?"

E eu não querendo dar a entender que não estava conhecendo, eu disse: "Bem, e o Sr. está passando bem?"

Ele disse: "O Sr. não está me conhecendo. O Sr. sabe quem eu sou? Eu sou um rapaz que estava sempre na janela de tal casa assim, olhando os senhores entrarem e saírem. Olhando para tomarem automóvel, saírem de automóvel, um grupo de rapazes e de moças, bem apresentados, agradáveis de olhar, que saíam rindo, que iam para um lugar ou para outro. E para mim era agradável, dava alento nos estudos eu parar e olhar um pouco a vida dos senhores. Depois os senhores iam embora, e eu estudava com mais vigor."

Aí eu me lembrei dele. Um carão grandão, com uma espécie de meia colocada aqui em cima da cabeça, porque ele jogava futebol, e saía de lá para jogar futebol com aquilo. No meu tempo jogavam futebol com essa coisa porque, os cabelos eram compridos e se tratava de não desorganizá-los. Tinha dado um dos maiores médicos de São Paulo.

Quando eu me lembrei, eu dei risada e disse: "Realmente, isto ajudava nos seus estudos?"

Ele disse: "Muito."

E eu disse a ele: "Se o Sr. dissesse isto, nós parávamos mais tempo ou íamos conversar com o Sr. O Sr. não disse, e agora a coisa ficou nisso."

Ele riu, e nos separamos na maior das cordialidades.

Bem, anos depois eu vi um livro de uma historiógrafa da Idade Média, francesa... meu Deus do céu! o nome dela me é tão familiar, mas eu me esqueço no momento.

(D. Luiz: Régine Pernoud.)

Régine Pernoud! Aí está D. Luiz com a infalível memória dele.

Bem, Régine Pernoud, uma grande historiadora. Ela tratava da vida dos plebeus na Idade Média, e mostrava como o camponês vivia à vontade. Quanta mentira há, quanta calúnia contra a Idade Média! E ela dizia: qual era a distração desta gente? Era o castelo. É ver os nobres entrarem e saírem, cavalgarem, caçarem, vestirem-se, contemplar!

A felicidade dos outros é participar dela, quando não se é invejoso.

Então aqui os senhores têm o ponto essencial desta Doutrina Católica da igualdade ou da desigualdade. E os senhores têm o que é preciso dizer aos brasileiros para que eles compreendam esse aspecto da monarquia, como de toda a tradição católica dos antigos tempos.

E, então a opção se faz desembaraçada porque o obstáculo caiu, e flui para o lado da monarquia esta opinião ainda hesitante.

Meu conselho é de pegarem os documentos pontifícios, D. Bertrand e D. Luiz os possuem em quantidade, lerem e estudarem, verem que não estou inventado nem construindo, e que essa é a tradição benfazeja e milenar da Igreja. Certamente não seguida pela linha Boff, é evidente. Mas seguida pelos papas sem exceção até hoje. E que representa o timbre de voz verdadeiro da Igreja e a explicação do plano de Deus a respeito das igualdades e das desigualdades, dos limites dela, e do caráter benfazejo do plano geral de Deus construindo o mundo.

Com uma ação metódica neste sentido, o único obstáculo grande que separa, a meu ver, a maior parte dos brasileiros da monarquia se esvoaçará, e qualquer plebiscito que se faça agora ou mais tarde será um plebiscito triunfante.

É esse triunfo que ao encerrar essas palavras e pedindo-lhes desculpas pela extensão, nesta manhã de domingo, destas considerações, eu faço votos, apresento os meus pedidos a Deus por meio de Nossa Senhora que esse triunfo venha para a monarquia, para D. Luiz, para D. Bertrand, para a Casa Imperial, para o bem do Brasil e para a grandeza do Brasil.

Tenho dito. [aplausos]


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