Merece registro a notícia da nomeação do Rev.mo Pe.
José de Castro Nery para membro do
Conselho Estadual de Bibliotecas, recentemente instituído pelo Governo do Estado.
Com efeito, são amplas e importantes as atribuições deste órgão, e a imprensa
católica deve acolher com satisfação a escolha daquele ilustre sacerdote para
ser um dos diretores das atividades que o Conselho deverá desenvolver.
Inteligência brilhante e culta, dispondo de largo prestígio em nossos círculos
intelectuais, o Rev.mo Pe. Castro Nery prestará
certamente relevantes serviços no cargo em que se encontra.
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Em comentários anteriores, acentuamos o perigo
crescente que existe para a Igreja no desenvolvimento das tendências
nacionalistas do Extremo Oriente. Em grande parte, essas tendências eram estimuladas pelos
partidos comunistas locais, que entreviam aí a possibilidade de destruir o
esforço missionário da Igreja, e desorganizar a economia dos países burgueses
do Ocidente.
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Neste sentido, a dissolução da III Internacional trouxe graves
inconvenientes pela confusão que estabeleceu. Enquanto outrora o caráter
subversivo daquela política era manifesto e gerava, portanto, uma fundada
irritação, hoje em dia, iludida a opinião pública com a perspectiva de uma
"conversão" em massa dos comunistas as reivindicações separatistas do
Oriente passam a ter o aspecto de meras expansões de lirismo nacionalista. E
conquistam, assim, ambientes em que jamais poderiam ter logrado penetrar,
enquanto abertamente propagado por comunistas.
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Só assim se poderia explicar que, em plena guerra,
um grupo político ousasse espalhar impunemente em Londres um Manifesto em
favor da plena independência da Índia, em que, ao mesmo tempo, se propõe reformas sociais das
mais subversivas:
"Entre outros pedidos formulados no mesmo
manifesto encontram-se o da transferência para a propriedade comum de todas as
terras e de todas as instituições de crédito e o de emprego de capital da
indústria de minas; governo próprio para as colônias e, depois da guerra, um
conselho de guerra mundial para o controle da navegação, aviação civil e
militar, e o comércio internacional".
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Graças a Deus, nem tudo é sombrio no extremo
Oriente. Assim, lemos, num órgão católico norte-americano a auspiciosa notícia
de que o governo chinês, a despeito da severidade das medidas tomadas para a
proteção nacional, resolveu criar um regime de exceção para as obras católicas,
mesmo quando dirigidas por padres ou freiras naturais dos países do eixo. Este
gesto de confiança de um governo pagão, altamente confortável para nossos
sentimentos de católicos, mostra bem como é fundada a afirmação de que as obras
católicas jamais constituem perigo para os verdadeiros interesses da sociedade
civil.