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“El Universal”, Guayaquil, 12 de novembro de 1995 – transcrito em “Catolicismo”, fevereiro de 1996, N° 542 (www

“El Universal”, Guayaquil, 12 de novembro de 1995 – transcrito em “Catolicismo”, fevereiro de 1996, N° 542 (www.catolicismo.com.br)

 

Plinio Corrêa de Oliveira: Apóstolo insigne, polemista fogoso e intrépido

 

Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, OFM (*)

 

A inesperada notícia da morte de Plinio Corrêa de Oliveira nos levou a pensar em alguns capítulos de sua vida e nos convidou a refletir que, quanto mais intensos são os males de uma época, tanto mais notáveis são as figuras que a Divina Providência chama para enfrentá-los, o que é um reflexo de seu desígnio de combater as crises suscitando almas de fogo.

Contudo, também acontece que essas almas são objeto dos ataques mais apaixonados e infundados, com o que se pretende fazê-las calar. O que é uma amostra da obstinação que muitas vezes penetra no espírito de certas categorias humanas.

Quando as figuras são verdadeiramente grandes, seus adversários não conseguem abatê-las, nem silenciá-las, porque os ataques injustos terminam destacando, ainda que eles não o queiram as qualidades dessas almas escolhidas.

Foi o que aconteceu com o Divino Salvador: atacado, vilipendiado e martirizado por seus verdugos, mas sua luz brilhará inextinguivelmente até o fim dos séculos em sua Igreja, apesar dos esforços de tantos para destruí-La.

Christianus alter Christus – O cristão é um outro Cristo: algo análogo aconteceu com Plinio Corrêa de Oliveira, durante décadas, até seu recente e lamentável falecimento.

De fato, era difícil mencionar seu nome em nosso continente, e mesmo na maior parte do Ocidente, sem desatar simultaneamente aplausos e admiração, de um lado; e de outro verdadeiras tormentas verbais contra ele, sempre tão impregnadas de paixão, como carentes de fundamento.

Assim, era freqüente que a fúria dos ataques que ele sofria não viesse acompanhada de argumentos. Por isso, a sua exposição serena, invariavelmente cortês e incisivamente rica, clara e contundente, dissipava as objeções, punha as coisas em seu lugar. Apesar de merecer por isso a gratidão de seus contendores, pois elevava o tom da polêmica, com freqüência desatava ódios, ressentimentos e despeitos.

Nos anos 40, quando o nazifascismo era uma moda ante a qual tantos claudicavam na Europa e América, a pena de Plinio Corrêa de Oliveira denunciou com valentia a impostura neopagã, socialista e gnóstica, que inspirava essa aberração, com o que preservou muitos ambientes católicos dessa nefasta influência.

Agora, quando é lugar comum atacar o nazifascismo – entre outras razoes, porque é fácil lançar diatribes contra erros que têm um número ínfimo de adeptos – não é raro encontrar entre seus pretensos inimigos de hoje seus cúmplices de ontem. Não obstante, estes se calam ou murmuram contra Plinio Corrêa de Oliveira, que criticou com lucidez e valentia essa impostura quando ela estava a ponto de dominar o mundo.

Depois da II Guerra Mundial a História girou, e muitos dos antigos adeptos do nazifascismo voltaram-se contra ele, e passaram a contemporizar com o marxismo. Este obteve assim, a partir de então, avanços gravíssimos em todo o mundo, à custa de dezenas de milhões de vítimas.

Uma vez mais, Plinio Corrêa de Oliveira se manteve intrépido na trincheira polêmica, agora contra o comunismo, o socialismo e seus colaboradores. E nesta luta permaneceu até o fim de seus dias, porque a Revolução foi pertinaz em impulsionar essa aberração em todas as nações.

Infelizmente, os ambientes católicos, que não haviam sido imunes à infiltração nazifascista, também não escaparam à do marxismo, havendo muitos exemplos de condescendências gravíssimas com esse erro, o que produzia uma inclemência enfurecida contra quem as atacasse.

Obviamente, a atitude de Plinio Corrêa de Oliveira não era meramente antinazista ou anticomunista. Ambas eram resultantes de uma posição doutrinária católica, inteiramente coerente e notavelmente fogosa, em defesa de todos os princípios da Igreja, especialmente daqueles que eram atacados pelos inimigos mais virulentos. No apostolado, sua preocupação primordial era apologética, pois queria que ele fosse servido pela lógica e pela doutrina em todo o seu vigor.

Em 1943, publicou uma obra que até hoje comove as consciências, Em Defesa da Ação Católica, a propósito da qual recebeu uma calorosa felicitação de Pio XII, enviada por Mons. Giovanni Baptista Montini, Substituto da Secretaria de Estado, elevado 20 anos depois ao Sólio pontifício com o nome de Paulo VI.

A obra causou entusiasmo em uns e mal-estar em outros, pois denunciava erros que germinavam nos ambientes católicos, em relação aos quais alguns tinham indulgência e outros indiferença, mas nos quais Plinio Corrêa de Oliveira via – como a História confirmou – germens de uma grande crise futura na Santa Igreja. Considerando a História recente de forma retrospectiva, ao recordar essa lúcida advertência e o verdadeiro cataclismo que sacudiu nas últimas décadas a Igreja, e que ainda não terminou, não podemos senão exclamar: “Ah, se essa voz tivesse sido ouvida…!”

Não se precisa ter muita sabedoria nem grande zelo para ver o perigo que provém dos males poderosos e conhecidos, mas ambas as qualidades são indispensáveis para se notar o risco que os males já apresentam em seu nascimento. Pois bem, Plinio Corrêa de Oliveira sabia ver de longe os perigos e denunciá-los, esmerando-se especialmente em revelar os mais ocultos. Ainda quando isso lhe custasse amarguras, porque essas atitudes com freqüência frustravam os planos dos inimigos da Igreja.

Seu desejo era que os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo impregnassem a fundo a sociedade contemporânea, segundo o lema de São Pio X, Omnia instaurare in Christo (Restaurar todas as coisas em Cristo), que tanto comoveu o mundo católico nos albores deste século, e que desde então inspirou a ação dos melhores apóstolos.

Sua obra Revolução e Contra-Revolução, publicada em 1959, analisa a História dos últimos séculos e a situação do mundo contemporâneo, mostrando que um processo corroeu a Cristandade e procura destruir seus restos, para instaurar um regime totalmente oposto à Lei de Deus.

Diante desse processo o católico autêntico, como assinala São Paulo, não pode conformar-se com o século presente (Rom 12, 2), ou seja, não pode querer um modus vivendi entre a Igreja e as tendências que dominam o mundo, mas deve querer para Ela e para a civilização cristã uma vigência plena e um brilho ainda maior do que nos seus melhores dias ao longo da História.

Por isso, o católico deve aplicar cabalmente a sábia e severa sentença de Nosso Senhor: “ninguém pode servir a dois senhores”. Plinio Corrêa de Oliveira consagrou todas as suas energias, em toda a sua longa e fecunda vida, ao combate intrépido contra esse processo, para recristianizar a ordem temporal rumo ao Reino de Cristo, ao Reino de Maria.

Seu último livro Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana – que já tivemos ocasião de elogiar – apareceu 35 anos após o último discurso do pranteado Pontífice, resgatando tais alocuções do profundo esquecimento no qual haviam sido deixadas, e mostrando quanto bem teriam feito ao mundo contemporâneo se desde então se houvessem nelas inspirado os líderes religiosos e temporais.

Sua obra se estendeu por 25 países – entre eles o nosso – onde o zelo combativo do mestre suscitou entusiasmo idealista nos discípulos, estimulando sua piedade, orientando seu estudo e sua ação, numa época em que os erros doutrinários, o indiferentismo religioso, as atitudes interesseiras e a obsessão por acomodar-se às piores situações se vão tornando cada dia mais freqüentes.

Resta, pois, pedir à Virgem Santíssima que, tendo chamado junto a si quem a Ela dedicou sua vida, abençoe a continuidade de sua obra no futuro, tanto mais que os acontecimentos presentes anunciam mais crises e conflitos. Para contorná-los e vencê-los, é indispensável sua ajuda maternal, como mostra a vida de Plinio Corrêa de Oliveira.

Quito, 8 de novembro de 1995.

 

(*) Cardeal Bernardino Echeverria Ruiz, equatoriano, da Ordem dos Frades Menores franciscanos, doutorou-se em Filosofia pelo Pontifício Ateneu Antoniano, de Roma. Nomeado Bispo de Ambato em 1949, exerceu os cargos de secretário, vice-presidente e presidente da Conferência Episcopal do Equador. Atualmente é seu presidente honorário. Membro fundador do CELAM, é também Assistente ao Sólio Pontifício. Arcebispo de Guayaquil de 1969 a 1989, desenvolveu intensa atividade apostólica de repercussão nacional. Tendo renunciado ao arcebispado ao atingir a idade canônica, S.S. João Paulo II designou-o Administrador Apostólico da diocese de Ibarra e nomeou-o Cardeal no Consistório de novembro de 1994.

 

 

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