Catolicismo, n 530, fevereiro de 1995 (www.catolicismo.com.br)

Fé católica ou cegueira: dilema para o homem contemporâneo

No quinquagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, os acertos das análises feitas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, nos anos que precederam o conflito, compelem todos os espíritos lúcidos a assumir uma posição de desconfiança vigilante quanto ao pacifismo ateu e otimista dominante em nossos dias.

 

No ano passado, transcrevemos para nossos leitores alguns prognósticos que, nos mais diversos campos do pensamento e da atividade humana, enunciou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, e provamos, com fatos irrefutáveis, a realização dos mesmos (1).

Nesta e em próximas edições de Catolicismo publicaremos previsões do Presidente da TFP a propósito de um dos acontecimentos mais importantes de nosso século: a Segunda Guerra Mundial.

Ao comemorar-se, em 1995, cinqüenta anos do fim desse conflito, dedicaremos este primeiro artigo a análises feitas pelo clarividente escritor católico, nas quais anunciou, com antecedência e precisão, a guerra que anos depois assolaria a humanidade.

Missão do Brasil na guerra que se aproxima

Em 1935, tecendo considerações sobre a harmonia étnica reinante no Brasil (em contraposição aos conflitos raciais que se levantavam em outros países), o Fundador da TFP já previa a eclosão das hostilidades no plano internacional que se verificariam quatro anos depois:

"Nossa missão histórica - afirmava - consiste em manter neste mundo que se defronta com uma conflagração universal, um oásis de paz dentro de nossas fronteiras. Assim, contribuiremos para evitar o alastramento do mal, que é a guerra" (2).

A paz não será duradoura

Em julho de 1936, discernindo o mau uso que se fazia da palavra paz, denunciava: "Os mestres da política internacional não esquecem em momento algum a palavra 'paz'. Apenas, eles a pronunciam tendo sempre em mente os armamentos que possuem e aqueles que podem vir a possuir. Assim a 'paz' vê-se sempre rodeada por uma atmosfera ardente, rica em bocas de fogo, em gazes e em outros objetos que dificilmente lhe permitirá longa existência" (3).

"A guerra mundial está a bater às portas"

Após apontar a missão primordial de todos os Estados, isto é, de lutar pela Fé e pela civilização, o insigne pensador católico afirmava: "A Europa e os Estados norte-americanos estão a braços com problemas tremendos. Dentro em pouco - e só os cegos podem contestá-lo - virá um dilúvio internacional: a guerra mundial está a bater às portas da civilização do Ocidente" (4).

Nas vésperas da guerra, importância crescente do Brasil

Analisando, um ano depois, o interesse crescente que o Brasil ia despertando na imprensa européia e norte-americana a partir de 1934, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira se perguntava: "Por que tanta diferença entre 1937 e 1934?" E respondia: "A razão é óbvia. Cada vez mais se aproxima do atormentado mundo contemporâneo o espectro de uma grande guerra. E com isso o Brasil cresce de importância, porque é um celeiro inesgotável de recursos de toda natureza" para o abastecimento de combustíveis, de alimentos etc., o que pode transformá-lo em importante aliado no conflito (5).

A corrida armamentista prepara a conflagração

Baseado no mesmo critério acima adotado, o Presidente da TFP insiste, três meses depois, sobre a proximidade da guerra: "Postas estas preliminares, é muito fácil compreender-se a razão de toda a luta colonial de que o mundo contemporâneo é teatro.

"Em última análise, a corrida armamentista que leva todas as nações a multiplicar o mais rapidamente possível os seus armamentos, nada mais é do que um dos episódios da preparação da futura guerra. Não basta acumular armamentos e treinar homens. É preciso, principalmente, preparar munições e mantimentos" (6).

A eclosão da guerra será inevitável

Quando o então primeiro-ministro britânico Chamberlain - um autêntico Kerensky inglês, sempre partidário de ceder para não perder, ao invés de lutar para não perder - viajou para a Alemanha a fim de se entrevistar com Hitler, assim se expressava o ilustre líder católico, analisando o fato: "Por mais que se procure impedir que o grande público tenha uma visão direta de todas as conseqüências das últimas negociações de Berchtesgarden [casa de campo de Hitler, na Baviera], tudo leva a crer que, se o espectro da guerra for realmente afastado em virtude do encontro Hitler-Chamberlain, a conflagração não será propriamente evitada, mas adiada". E após descrever o estado de espírito do Führer e do nazismo, afirmava: "Se, de um lado, um povo quer tudo, e por outro lado, povos há que não querem nem podem, no final das contas, ceder tudo, a guerra é uma questão de dias, ou de meses, mas fatalmente explodirá ... quando poderá ela explodir? Amanhã? Daqui a 6, 10, 12 ou 24 meses? Não o sabemos. Mas, enquanto Hitler estiver no poder, ela será inevitável" (7).

Uma semana depois, o Fundador da TFP sustentava: É verdade que a política dos srs. Chamberlain e Deladier [então primeiro-ministro francês] adiaram a guerra? A este respeito achem os católicos o que quiserem. Minha opinião individual é de que, de alguns dias a guerra foi adiada. Mas que essa paz mais do que precária foi comprada por um preço absurdo e que o recuo franco-inglês revela uma miopia assombrosa" (8).

No início de setembro de 1939 foi declarada a Segunda Guerra Mundial, confirmando as previsões do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

A encruzilhada dos otimistas de hoje

Sirvam esses fatos para abrir os olhos de muitos que têm ignorado ou fingido ignorar as inúmeras advertências, avisos e denúncias que o conhecido escritor católico vem fazendo, com admirável discernimento, ao longo de sua vida.

E para que não se espantem quando, se os homens não se converterem seriamente à única Igreja verdadeira "a Católica, Apostólica e Romana", comecem a realizar-se as previsões muito mais insistentes e radicais do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, no tocante a um acontecimento imensamente mais terrível que a Segunda Guerra. Isto é, a Terceira Guerra Mundial, coidêntica, na perspectiva do Presidente da TFP, com o castigo profetizado por Nossa Senhora em Fátima, do qual a humanidade vai se tornando merecedora na medida em que sua apostasia da Fé católica está se concretizando de modo alarmante.

Quando Chamberlain voltou a Londres, após um de seus encontros entreguistas com Hitler, e foi recebido com entusiasmo delirante pelo povo inglês, cegado pelo otimismo, Churchill o apostrofou com estas palavras: "Tínheis que escolher entre a vergonha e a guerra. Escolhestes a vergonha e tereis a guerra. "

Parafraseando Churchill, e na iminência de eventuais catástrofes a respeito das quais de longa data o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira nos vem prevenindo, dirigimo-nos aos otimistas de hoje, e os advertimos: caso não modifiquem sua posição nesta hora, que parece ser extrema, o futuro lhes dirá: "Tínheis que escolher entre a cegueira e a Fé. Escolhestes a cegueira e perdestes a Fé!"

Juan Gonzalo Larraín Campbell

 

NOTAS

1) Cfr. artigos deste autor em Catolicismo, edições de abril, maio, junho, agosto, outubro e dezembro de 1994; e, na mesma linha, artigo de João

Sérgio Guimarães, edição de setembro/94.

2) Self-Control, "Legionário", 13-10-35.

3) À margem dos fatos, "Legionário", 5-7-36.

4) Unidade nacional, "Legionário", 22-11-36.

5) Para que a independência do Brasil não seja um mito, "Legionário", 19-9-38.

6) Com mouros à vista, "Legionário", 13-2-38.

7) O verdadeiro sentido do viso de Chamberlain, "Legionário", 18-9-38.

8) À margem da crise,- Legionário", 25-9-38.

(Os sublinhados são nossos).